quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Dor

Quando a dor passar por mim
E fizer
E disser
Que não vive mais assim
Sem deixar em paz
Sem me atormentar até
Trespassar o existir
Se essa dor
Deixa-me enfim em paz
Ser capaz de corroer
Até o fim

sábado, 3 de setembro de 2016

Deixar ao Nada

Quando deixar
Ao nada a que me entrego
Tudo o que tive
Ao tempo que quem sabe
Escuto escuro
Por deixar de ser
A lua e ao dia
Sirvo
Deste tudo que sinto
Não estar de luto
Pelo que perdi ao tempo
Severo atrasar das luzes
Desperto

Por que existir?

Por que existir?
Por que (d)esistir?
O porquê
De ser
Se é o que não
Já e ainda
O assim seria
Se de noite
Se de dia
Sede
Sede
Do que já passou
Por mim e ainda
Entre entreveros da alma
Por ser
E ainda por que
Haveria de ser
O que não se pode

domingo, 5 de junho de 2016

Verdade das Palavras

A verdade é construída através das palavras
Que revelam nossos sonhos e desejos
De ver a vida cada vez melhor
Sendo o pensamento como um negativo
Que a palavra revela como uma fotografia

O que o dicionário explica
Nem sempre é o que a vida mostra
As palavras ajudam a construir um novo dia
Revelando segredos e dores
Ajudam a dizer que está tudo errado

As palavras podem ser combinadas
Se combinadas com ódio
São dores que machucam o coração
Se reunidas com amor
São amores que fazem uma canção

domingo, 24 de abril de 2016

Nasci pra esperar


Eu não sei
Eu não conheço
Eu não ouvi
Eu não falei
Eu não vi
Eu não fui
Não voltei
Porque eu não estava aqui
Eu não estava
Eu não estava
Eu não estava lá
Eu fui vencido
Pelo marasmo
Eu nasci pra esperar
A hora certa
A hora certa
A hora certa vai chegar
Quem sabe um dia
Quem sabe um dia
Eu vou me libertar
Mas eu não sei
Eu não conheço
Eu não ouvi
Eu não falei
Porque eu não estava
Eu não estava
Eu não estava lá!
Eu não estava aqui em nenhum lugar.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Multidão dos Desvalidos

A multidão dos desvalidos
Solitários
Sem esperança
Mesmo sendo muitos
São sós
Como estrelas errantes
Vagando pelo universo
Mas por estarem assim
Desacompanhados
Estão livres
Mas ao mesmo tempo
Estão presos

À solidão

domingo, 27 de março de 2016

Sonhando

Eu vi o vento pela janela
A cor do ar pra mim se revelou
O que era incolor virou arco-iris
O colorido se desbotou

O ar em cores e o mundo preto e branco
Animais e plantas e prédios e vilarejos
A relva e o barro e o asfalto
Viraram gradações de cinza tão cinza

Sonhos seriam simplesmente
Ou um desejo com ardor
Realidade, uma pitada de loucura

Tudo voltou ao normal
Será que estava sonhando acordado?
Ou seriam apenas delírios?